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Números do AVC

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Por Maramélia Miranda, neurologista vascular da UNIFESP/EPM, e atual presidente da SBAVC. Atualizado em 27/01/2026.

De acordo o Portal da Transparência do Centro de Registro Civil (CRC) do Brasil, com dados dos atestados de óbitos brasileiros, a mortalidade por AVC no Brasil continua ultrapassando o infarto: foi de 75.553 em 2019, 76.382 óbitos em 2020, 81.822 em 2021, 87.749 em 2022 e 84.931 em 2023, números parecidos com os dados oficiais do SUS, que podem variar um pouco, de acordo com a metodologia aplicada nos critérios de busca (CIDs considerados na pesquisa).

No ano de 2024, o número total de óbitos por AVC foi de 85.427 casos, seguido de 77.886 mortes por infarto, segundo dados dos registros de atestados de óbitos.

No ano de 2024, dados do TABNET-SUS do Ministério da Saúde mostraram 106.501 mortes por AVC no Brasil (incluindo dados de infarto cerebral, o AVC isquêmico, AVC hemorrágico, hemorragia subaracnoidea e AVC não-especificado como isquêmico ou hemorrágico; CIDs G45-G46 e I60-I69).

Como comparação, no mesmo período, o infarto agudo do miocárdio / doença coronariana (CIDs I20-I25) tiveram 119.687 óbitos registrados.


Fonte: CRC do brasil. Acesso em 14/05/2025. In: https://transparencia.registrocivil.org.br/painel-registral/especial-covid; DATASUS, Sistema de Informação sobre Mortalidade, acesso em 27/01/2026. In: http://tabnet.datasus.gov.br.


AVC no Mundo

Em 2019, de acordo com o grupo Global Burden of Diseases (GBD) Study, que compila dados mundiais e foram recentemente publicados por Feigin e colaboradores, do GBD Study, foram contabilizados 12.2 milhões de casos incidentes de AVC, com 6.55 milhões de mortes.

Globalmente, o AVC é a segunda causa de morte (cerca de 11% das mortes totais). No Brasil, essa relação (IAM/AVC) era inversa, com a doença passando para segundo lugar apenas nos últimos anos, a partir de 2016 (dados do DATASUS).

Houve uma redução de incidência, prevalência e mortalidade global do AVC, mas um aumento das taxas de prevalência da doença em menores de 70 anos (~22%); a taxa de mortalidade do AVC em países pobres é 3.6 vezes maior do que dos países ricos.

Dados novos do GBD Study 2019, sobre a distribuição dos tipos de AVC :

— AVC isquêmico 62.4%

— Hemorragia intracerebral 27.9%

— Hemorragia subaracnoidea 9.7%

De acordo com o mesmo estudo, os cinco principais fatores de risco relacionados a perdas de dias:

— Hipertensão arterial (79 milhões de DALYs ou 55% do total de DALYs)

— IMC elevado (34.8 milhões de DALYs ou 24.3% do total de DALYs)

— Glicemia elevada (28.9 milhões de DALYs ou 20.2%)

— Poluição do ar (28.7 milhões de DALYs ou 20.1%)

— Tabagismo (25.3 milhões de DALYs ou 17.6%)

Dados de um grande estudo australiano feito com adultos hospitalizados por AVCs entre 2008 a 2017, seguindo mais de 313.000 vítimas da doença por 10 anos na Austrália e Nova Zelândia, mostraram uma taxa global de recorrência de AVC de 26% em 10 anos, com sobrevivência de 52% após 5 anos, e de apenas 36% após 10 anos do primeiro AVC!!!! Ou seja, a morte e a ocorrência de um novo AVC são frequentes após um primeiro AVC, e essa doença está associada a uma significativa perda da expectativa de vida.

Nos pacientes com AVC hemorrágico, a mortalidade e recorrência de outros eventos foi ainda maior.
A ocorrência de um AVC isquêmico reduz a expectativa de vida de uma vítima da doença em 5,5 anos, e de 32,7% da expectativa prevista.



Pesquisas Epidemiológicas sobre o AVC no Brasil

Quanto aos dados brasileiros, sem dúvidas o registro epidemiológico Joinvasc, na cidade de Joinville, é o mais rico para ilustrar o impacto desta doença no nosso país. Segundo o Joinvasc, registro ativo e com cerca de 10.800 mil casos de AVC catalogados na sua base de dados, a incidência de AVC em 2021 foi de 160/100.000 habitantes-ano em 2021, contabilizando um total de 950 novos casos no ano de 2021, na cidade. No registro da cidade de Matão, SP, a incidência reportada entre 2003 e 2004 foi de 108 casos/100.000/ano.

Portanto, estima-se que, na população brasileira, com base nos dados de Matão e Joinville, a incidência seja de cerca de 232-344.000 novos casos/por ano, ou 978 novos casos/dia, ou praticamente um caso de AVC a cada 1,5-2 minutos no Brasil.

Outros dados importantes do Registro Joinvasc apresentados no ano de 2021:

— Letalidade em 30 dias: 12.5%

— Independência (escala de Rankin 0 a 2) em 30 dias: 64.4%

— Dependência moderada e grave (escala de Rankin 3 a 5): 13%

— Percentagens de subtipos de AVC: AVCi 75%, AIT 14%, AVCH 7%, HSA 4%.

— Percentagens de subtipos de AVC: AVCi 75%, AIT 14%, AVCH 7%, HSA 4%.


AVC em jovens no Brasill

Quando falamos em AVC na população mais jovem, um estudo muito importante, publicado por Cabral e colaboradores, comparou a incidência de AVC em 10 anos (entre 2005 e 2015), durante três diferentes períodos, e mostrou que a incidência do AVC isquêmico neste grupo etário (jovens sendo considerados os pacientes < 45 anos) aumentou 66%, sem aumento na incidência do AVC hemorrágico. Ou seja, de forma similar aos estudos que mostram aumento de incidência de AVC em jovens em países desenvolvidos, isso foi também observado no Brasil, considerado país de média e baixa renda, mas às custas do AVC de subtipo isquêmico.



    ** Autores Grupo de trabalho da SBAVC (Miranda M, Rebello LC, Moro C, Magalhães P, Pedatella MT, Bezerra DC, Pinto R, Pontes-Neto OM, Oliveira-Filho J, Freitas GR, Silva GS, Lange MC, Martins SMO). Todos os autores são neurologistas vasculares, membros da SBAVC.

    Tags: AVC, infarto cerebral, acidente vascular cerebral, AVC isquêmico, AVC hemorrágico, AVCI, AVCH, hemorragia cerebral, epidemiologia, números do AVC.


    Referências

    1. DATASUS. In: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/deftohtm.exe?sim/cnv/obt10uf.def. Acesso em 20/10/2022.
    2. Sistema de Registro Civil Nacional – CRC Nacional. In: https://sistema.registrocivil.org.br/portal/?CFID=8599823&CFTOKEN=ec5ff77fad30c025-78639683-CC61-CCC3-F5D1A3376218610A.
    3. Feigin et al. GBD Stroke Collaborators. Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors, 1990–2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2019. The Lancet. Sep 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/S1474-4422(21)00252-0
    4. GBD Stroke 2021. Supplemental Material.
    5. Thaybaranathan et al. Global stroke statistics 2022. International J Stroke. Aug 2022. DOI: https://doi.org/10.1177/174749302211231
    6. Feigin et al. Worldwide stroke incidence and early case fatality reported in 56 population-based studies: a systematic review. Lancet Neurol. Apr 2009. DOI: https://doi.org/10.1016/S1474-4422(09)70025-0
    7. Pen et al. Long-Term Survival, Stroke Recurrence, and Life Expectancy After an Acute Stroke in Australia and New Zealand From 2008–2017: A Population-Wide Cohort Study. Stroke Apr 22. DOI: https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.121.038155
    8. PREFEITURA MUNICIPAL DE JOINVILLE. JOINVASC: Registro de AVC de Joinville, 2021.
    9. Cabral et al. Incidence of stroke subtypes, prognosis and prevalence of risk factors in Joinville, Brazil: a 2 year community based study. JNNP 2009. DOI: 10.1136/jnnp.2009.172098
    10. Minelli et al. Stroke Incidence, Prognosis, 30-Day, and 1-Year Case Fatality Rates in Matão, Brazil: A Population-Based Prospective Study. Stroke 2007. DOI: https://doi.org/10.1161/STROKEAHA.107.484139
    11. Cabral et al. Increase of Stroke Incidence in Young Adults in a Middle-Income Country: A 10-Year Population-Based Study. Stroke 2017